Coluna: Machadadas
Autor: Ribas Machado
Filme que conta a historia de mocinhos e mocinhas fofas e rosadas, norte americanas, vindo ajudar o povo sub nutrido sul americano a parar de devastar suas matas e, por tabela, encontra índios canibais malvadões pelo caminho... Hmmm!
Olhando assim, chega a parecer um repeteco da fórmula clássica e medíocre (Turistas seria "O" grande exemplo) e uma imitação barata de filmes no estilo das (também) clássicas obras de Ruggero Deodato, mas...
Vocês se lembram daquele viral de 2012 (considerado o viral mais rápido da história), "
Kony 2012", produzido pela Ong
Invisible Children, que tinha como principal objetivo (declarado) revelar ao mundo as atrocidades cometidas por Joseph Kony, líder do grupo guerrilheiro/religioso de Uganda (Exército de Resistência do Senhor, ou LRA) acusado de aliciamento, assassinato, estupro e mutilação de mais de 30 mil crianças nos últimos 20 anos? Lembram do rolo que deu (muitas críticas e descobertas de outras POSSÍVEIS razões não tão humanitárias tais como angariar doações, levar os EUA à guerra, vaidade, autopromoção pura e simples...)?
Pois é, esta foi a verdadeira inspiração (este caso e seus desmembramentos) para Eli Roth criar, com a trama de "Green Inferno", uma crítica ao slacktivism (ativismo preguiçoso ou, pra nós, ativismo de sofá) e, em função disto, fui assistir e cá está uma matéria a respeito...
Estão comigo?
Borandar então!
Resumo (oficial)Um grupo de universitários, ativistas, viaja para a Amazônia (Peruana) para salvar a floresta tropical e logo descobrem que não estão sozinhos, e que nenhuma boa ação fica impune.
Curiosidades- Os posters no quarto de Justine são de "Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída" de 1981 (preciso rever este filme) e "Betty Blue" de 1986;
- Não parem de assistir o filme quando ele acabar, pois os créditos finais são interrompidos após cerca de 20 segundos para uma cena de Lucille (a irmã de Alejandro) chamando Justine e dizendo-lhe que...
- Por falar em cenas finais, bom, assistam tudo pois o filme "não acaba no fim..." ;
- Eu realmente gosto de ver os créditos finais e nos deste filme, pudemos ver uma menção/homenagem aos habitantes locais, que diz: "Feito com a participação generosa do povo de Callanayacu Peru. Obrigado por nos acolher em sua bela aldeia. Estamos ansiosos para jantar com você novamente em breve";
- Vemos (nos créditos) também uma menção/homenagem à Rugero Deodato e a Brad Pit;
- Descobrimos, nos créditos, (e vocês já devem ter visto no print acima) os twitters de boa parte do elenco (já escrevi para alguns...);
- E, podemos ver , nos créditos, uma homenagem ao gênero de filmes de terror voltados ao canibalismo...
ImpressõesJá de cara devo dizer que o filme não é uma maravilha, não mexeu comigo como o primeiro "Albergue", mas foi uma surpresa interessante, seja pelo fato de eu estar com expectativas muito baixas, seja pela pesquisa pós filme que me fez descobrir as razões reais para a criação do filme.
E, justamente com este conhecimento, passei a entender melhor e até gostar deste filme que, usando de estereótipos clássicos do ativismo (como o/a líder mais preocupado em aparecer e ser reconhecido como "O/A" cara/mina, mais preocupado com uma agenda paralela, mais pessoal e paralela ou bem distante da causa original; a homossexual ativista veterana que esta mais preocupada em catar todas as novinhas idealistas e curiosas -da mesma forma que o hétero, macho alfa, que aceita ficar abaixo do líder, pra, também, se dar bem com a mulherada "que sobrar"-, os/as integrantes sérios, idealistas e puros -que, geralmente, são os que se ferram, são usados, vão presos, apanham, são processados e, no filme, morrem- e os/as integrantes que estão na causa pela diversão, pelo status, pela aceitação e outras razões que não a original) e de situações fechadas em microcosmos (sem precisar de um orçamento de blockbuster), consegue, do seu jeito/estilo (sangue e mortes visualmente histéricas) fazer sua crítica social e acordar a plateia.
Outra coisa que gostei foi descobrir que não era uma refilmagem dos clássicos, não era uma releitura, mas o tema "Canibais" (que o Eli Roth, assumidamente, tanto gosta) só foi usado como homenagem ao gênero, e pano de fundo para a crítica...
Lógico que tem cenas sofríveis e desnecessárias (o que foi o líder relaxando na cela?!?), lógico que não é um filme que vou lembrar daqui umas semanas, mas é bom, bem feito, tem começo, meio e fim, tem uma pequena e básica montanha russa de emoções e tem as situações de tensão (e suas soluções) bem montadinhas e bem aceitáveis.
Com relação à crítica em si, talvez não seja todo mundo que vá entender, gostar, sacar, se sensibilizar e, não, eu não sou um gênio super sensível e com preparo intelectual acima da média mas... Por estar há anos convivendo (também) com este problema/questão do "ativismo de sofá", por já ter acompanhado (inclusive profissionalmente aqui pro O.I.) vários grupos, pessoas, situações e ideologias, acabei conseguindo (sem tentar) me achar, me ver e ver muita gente nos personagens CARICATURAIS e nas questões tocadas no filme.
Por fim, aconselho que conheçam o filme e deem uma googlada para (que não conhece ou esqueceu) saber mais sobre o Kony 2012 e todas polêmicas que vieram após sua veiculação...
O que mais, o que mais?
Ah sim! Visitem o twitter oficial, tem tweets batutas...
Ficha técnica - Direção: Eli Roth
- Roteiro: Eli Roth e Guillermo Amoedo
- Lançamento: Embora tenha sido apresentado para o mundo, no Canadá em 08 de Setembro de 2013 (Toronto International Film Festival), em 2014 a distribuidora do filme vazou (pois é, deixou eles na mão), problema este que só foi "solucionado" em setembro de 2015 (por isso que o filme é considerado de 2015 ou até 2016 -ano do lançamento do DVD);
- Musica: Manuel Riveiro
- Site oficial (em japonês, não me perguntem pq): http://green-inferno.jp/
- Facebook oficial: https://www.facebook.com/TheGreenInferno#
- Twitter oficial: https://twitter.com/TheGreenInferno
- Tumblr oficial: http://greeninfernomovie.tumblr.com/
- Paises: EUA, Chile Canadá
- Locações: Tarapoto/Peru, Santiago/Chile, Nova York/EUA
- Duração: 100 min
- Elenco: (Vamos aproveitar os créditos finais novamente?)
Até a próxima!