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segunda-feira, 4 de julho de 2005

Coluna: Machadadas
Autor: Ribas Machado



Resumo


Noriko Shimabara é uma garota normal de 17 anos, cuja família é composta por sua irmã mais nova Yuka, seu pai Tetsuzo, e sua mãe Taeko. Noriko não podia deixar de se sentir insatisfeita com sua vida suburbana sem graça. Um dia, ela descobre um fórum na internet onde adolescentes de todo o Japão se reúnem. Lá, Noriko, pela primeira vez em sua vida, sente que está sendo aceita e compreendida pelos outros. Noriko, então, foge de casa para procurar seus amigos em Tóquio.



Lá chegando, ela conhece a figura central por trás do site que usava o nickname de "Ueno54"  que se apresenta com o nome de Kumiko. Junto, e por causa de Kumiko, Noriko torna-se membro do estranho "Círculo de família", um grupo que oferece o serviço famílias de aluguel. No "Círculo de família", os membros são enviados para  pessoas solitárias e, com elas, por um tempo definido, conforme o negociado, passam a representar o papel de filhos, netos, esposas, maridos... 


Yuka, também foge de casa se juntando a Noriko o que acaba desencadeando o suicídio de sua mãe e o início de uma uma busca (por elas) desesperada da parte de seu pai, daí em diante somos jogados, durante 5 capítulos e mais de duas horas e meia de filme, para dentro do dia a dia da relação entre as 3 meninas e tudo que acontece ao redor...


Curiosidades

  • Mitsuko, o nome que Noriko assume, é o nome de um dos principais personagens do primeiro filme (Suicide Circle);
  • O cartaz no quarto das meninas é da banda Desert (banda pop, de ficção, que intermediava as cenas de Suicide Circle). O cartaz anuncia a canção "Write Once", que foi a canção que a banda Desert tocou nos créditos finais do filme;
  • Os eventos que acontecem neste filme tem lugar antes, durante e após os acontecimentos ocorridos em de Suicide Circle (2001), e buscam (na minha opinião sem sucesso) ajudar a mostrar os bastidores de tudo o que aconteceu naquele filme;
  • Segundo consta, este foi o segundo filme da trilogia planejada pelo escritor/diretor.

Impressões


Um filme chato e longo que, embora cite acontecimentos do "primeiro" filme (Suicide Circle), está longe de ser uma continuação, até pq, mais confunde do que explica os acontecimentos suicidas. O mais justo seria dizer que é um filme que faz uma referência, uma homenagem, uma citação ao anterior mas, nunca, uma continuação e (ou) um filme que veio explicar algo... Só aí já se coloca como propaganda enganosa e destrói qualquer expectativa que levou o espectador a aguentar o papo cansativo e contínuo jogado por duas horas e meia bem enfadonhas.


Para não dizer que não tem nenhuma ligação com o "primeiro" filme, este, possui algumas cenas copiadas e coladas aqui e, tal e qual ocorre lá, também temos mais uma propaganda enganosa, qual seja, a oferta nos trailers, nas propagandas e nas sinopses de uma super trama que, na prática/realidade, se mostra bastante rasa e, como sempre ocorre com filmes/diretores cultuados, faz/abre (muito) espaço para que os fãs (abarrotados de expectativas) saiam do filme misturando realidade (o filme) com ficção (suas expectativas) e, por consolo psicológico, acabem criando em suas mentes um filme que não existiu. Tomem cuidado com estes delírios, tomem cuidado com uma supervalorização destes dois filmes "sequenciais", ou não reclamem (nem tentem se matar de tédio) depois...


Vale citar também um ponto interessante/curioso a respeito da cultura oriental ou, seria melhor dizer,  do dia a dia no Japão atual, qual seja, esta mania, esta necessidade de relações humanas de aluguel. Tá, ok, confesso que não pesquisei a fundo pra saber se existe este lance de famílias de aluguel (e também não vou pesquisar, pois estou com preguiça) mas, seja como for, é fato que o autor que pensou nisso é japonês, é fato que no Japão o filme fez muito sucesso (vai entender...) e é fato (este comprovado e pesquisado) que por lá (Japão) existem (alguns) "Maid Cafés" onde os clientes podem pagar para uma das Maids ("garçonetes") cantar com eles, sentar na mesa com eles e até dar uma volta a pé pelo bairro. Se isto não bastasse é sabido e conhecido a paixão que (muitos) orientais tem por prostitutas... Enfim, isto, esta cutucada, esta "colocada para pensar", faz o filme valer (um pouco) a pena...


Ficha técnica

  • Direção - Sion Sono
  • Produção - Takeshi Suzuki
  • Roteiro - Sion Sono
  • Musica - Tomoki Hasegawa
  • Distribuição - Eleven Arts     
  • Estreia - 04 julho de 2005 no "Karlovy Vary International Film Festival"
  • Duração - 159 minutes
  • Idioma - Japones
  • Elenco -
          Kazue Fukiishi - Noriko Shimabara/Mitsuko
          Ken Mitsuishi - Tetsuzo Shimabara
          Yuriko Yoshitaka - Yuka Shimabara/Yôko
          Tsugumi - Kumiko/Ueno54
          Sanae Miyata - Taeko Shimabara
          Shirô Namiki - Ikeda
          Yôko Mitsuya - Tangerine
          Tamae Andô - Broken Dam
          Chihiro Abe - Long Neck
          Hanako Onuki - Midnight
          Naoko Watanabe - Cripple
          Usamaru Furuya - Homem no café


Até a próxima!



























segunda-feira, 29 de outubro de 2001

Coluna: Machadadas
Autor: Ribas Machado



Resumo


Após 54 meninas do ensino médio lançarem-se, de mãos dadas, felizes e cantando, sem nenhuma razão aparente, na frente de um trem do metrô de Tókio, dando início a este que parece ser apenas o começo de uma série de suicídios em todo o Japão, o detetive Kuroda (auxiliado pela Hacker "Morcego") tenta entender/investigar o que está acontecendo, investigação esta que não será tão simples como se poderia esperar, principalmente pq no desenrolar das investigações surge um  suposto "clube do suicídio", que estaria instigando jovens estudantes, entediados e cansados da rotina robotizada japonesa, a cometerem suicídio de modo a darem um sentido às suas vidas.



Curiosidades

  • O nome do grupo pop "Desert" recebeu grafias diferentes durante todo o filme, provavelmente de propósito, muito embora na verdade os símbolos signifiquem "sobremesa" e "deserto" no filme;
  • "Mail-me", a canção que pode ser ouvida em muitas das cenas do filme, é um cover feito pela banda "Desert", da música original de Haruko Momoi;
  • Reparem que (no melhor estilo dos filmes de kung fu antigos em que os cabos de aço acabavam visíveis nas cenas com golpes voadores) quando os alunos saltam para a morte, do telhado da escola, pode-se ver claramente a equipe de produção jogando baldes de sangue falso na janela;
  • O computador da personagem "Morcego" (Bat) é um Apple Macintosh PowerPC 5500/225, preto. Este modelo já foi descontinuado em 1998.
  • Suicide Clube, faz referências aos filmes "The Rocky Horror Picture Show" (1975), "Uzumaki" (2000);
  • E é reverenciado por filmes como "O Albergue" (2005) e "Nova Dubai" (2014).
  • Possuiu uma versão sem cortes onde algumas cenas são mais longas e com a violência mais detalhada;
  • Em 2006, Sono disse: "Eu sempre quis fazer uma trilogia, mas na realidade é muito difícil." (ainda bem!!)
  • Teve uma versão feita em mangá, escrito por Usamaru Furuya, versão esta que apareceu ao mesmo tempo de lançamento do DVD japonês, mas que trazia uma historia um pouco mais linear e com pequenas mudanças no enredo.


Impressões


Não sei exatamente o pq, mas, ontem (originalmente publicado em 06/09/2007 no Blog: "Comentários em Série, com spoilers"), resolvi assistir esse filme oriental que além de, a princípio, ter uma história interessante, também prometia sérias criticas sociais ao Japão do século 21...

Tal filme, que teve em 2006 uma sequência chamada "Noriko's Dinner Table" (紀子の食卓, Noriko no Shokutaku), ganhou (não sei como, e também não irei fazer nenhuma releitura para tentar descobrir) o prêmio do júri, no "Fant-Asia Film Festival" 2003 e, até vale conhecer mas, é um pouco supervalorizado.

Lembro até que quando publiquei esta resenha em 2007, recebi um comentário raivoso de um fã chamado Gustavo, que dizia, no alto de seu vasto conhecimento oriental:
"Sem querer ofender, mas Jisatsu Saakuru (Suicide Circle) é um filme bem complexo, não é vendo como um brasileiro que você vai entender, tem que olhar pelo lado dos japoneses. Tem cenas fortes, muito fortes, e mexe com uma ferida aberta dos orientais, pois no Japão se cometem muitos suicídios e o filme critica isso seriamente como se a mídia influenciasse tudo. Não é um filme perfeito, mas existem MILHARES de filmes muito piores do que esse, e é claro que opinião é opinião, respeito a sua, mas acho que não é um filme para pessoas que não gostam de pensar, é necessário usar a cabeça para descobrir as tramas, e se você não entendeu, é porque provavelmente gosta de filmes com efeitos especiais, ets, e mocinhos e mocinhas e blá blá blá."
E lembro que na época eu já pensava (e ainda penso) que é sempre perigoso defender filmes (como este) que são mais densos nas sinopses/trailers oficiais do que no enredo/no desenrolar do filme em si, pois, do contrário, geralmente criam-se expectativas na cabecinha dos fãs, que passam a inventar uma historia muito melhor do que a original, vindo a defender esta versão ficcional como se real fosse...

Mas, voltando... Este filme promete tecer criticas sociais à cultura japonesa no século 21.


O filme até começa bem, meio estranho é verdade, mas começa bem, e assim se segue até o segundo terço, quando, talvez por problema de orçamento, resolvem puxar uma solução mal explicada e terrivelmente mal criada e amarrada, para em seguida colocarem um clipe de uma girl band com meninas de 12 anos e meio, que cantam as tais "criticas sociais" e fim. 

Enfim, depois de ter conseguido ver até o final, eu conclui que, na verdade a grande causa dos suicídios, não era nem o tal "Gênesis e sua gang", nem as "crianças filósofas", nem mesmo o tédio da vida daqueles jovens mas, sim, o próprio filme, filme este que, TALVEZ, deva ser parte de um plano mirabolante dos organizadores do Clube/Círculo do Suicídio para fazer com que mais pessoas fiquem deprimidas e entediadas (após ver o filme) e,com isto, aumentem as suas (do Clube/Círculo) fileiras.


Ficha técnica

  • Direção: Sion Sono
  • Produção - Seiya Kawamata, Junichi Tanakagou e Toshiie Tomida
  • Roteiro: Sion Sono
  • Música - Tomoki Hasegawa
  • Fotografia: Kazuto Sato 
  • Distribuição - Eleven Arts     
  • Estreia - 29 outubro de 2001 no "Tokyo International Fantastic Film Festival"
  • Duração - 99 minutes
  • Idioma - Japones
  • Elenco -
          Ryo Ishibashi (Detetive Kuroda);
          Akaji Maro (Detetive Murata);
          Masatoshi Nagase (Detective Shibusawa);
          Saya Hagiwara (Mitsuko);
          Hideo Sako (Detetive Hagitani);
          Takashi Nomura (Segurança Jiro Suzuki);
          Tamao Satô (LINDA enfermeira Yoko Kawaguchi);
          Mai Hosho (Também LINDA enfermeira Sawada);
          Yoko Kamon (Koomori - A "Morcego"-);
          Rolly (Genesis)
          Kimiko Yo (Kiyomi Kuroda).

      E, bom, agora resta criar coragem para ver a continuação de 2005 (que, segundo levantei, retrata acontecimentos anteriores e posteriores ao filme original e dá uma melhor visão sobre vários buracos na trama de seu antecessor)  e, quem quiser, vale ver/rever o vídeo abaixo (batutinha) que contém SPOILERS E CENAS BEM FORTES (não digam que eu não avisei!!)...




      Até a próxima!


      F.A.Q.

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      Agora que consegui sentar e sossegar bora tirar dúvidas da patota...

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