Hoje, o tema que une as falas escolhidas (4) gira em torno da questão dos 43 desaparecidos da escola rural de Ayotzinapa, "Raúl Isidro Burgos"/México
O tema não é dos mais leves mas, infelizmente, é muito difícil encontrar, nas ruas, um tema leve...
Bom...
Borandar e ouvir!!
Gerardo Torres Pérez
(Aluno -hoje já- formado pela escola rural de Ayotzinapa, "Raúl Isidro Burgos", que conhecia os 43 desaparecidos e que em janeiro de 2012 interpôs na Procuradoria Geral de Justiça (PGJE) uma denuncia de tortura, contra policiais estaduais de Guerrero e agentes federais da polícia ministerial)
Relógio marcando 10h03, chego na Praça das Artes e começo o caminho (regularmente repetido nesta semana) rumo ao local do Colóquio, reparando em mais uma mudança no cenário, qual seja, o palco do evento de domingo passado dos "Jornalistas Livres", fora desmontado...
É interessante e até um pouco tristonho reparar nestas mudanças/limpezas do cenário (terça a faixa contra a redução sumiu, hoje, o palco do JL...), pois daqui uns dias, quando eu voltar a passar aqui por perto (lembrando que este é um caminho clássico de manifestações), o Colóquio também já não estará por aqui (e já posso assumir que deixará saudade...)...
Mas, como este dia ainda não chegou, voltemos para o dia/Colóquio de hoje que começou suas atividades por volta das 10h20, com a Oficina: "Ativismo digital e mobilização", que teve como facilitadoras...
Anna Livia Arida, Minha Sampa
Katitza Rodriguez, Electronic Frontier Foundation
E que funcionou da seguinte maneira...
Os participantes foram convidados a escolher sentar em um dos dois círculos (um para falantes de inglês e outro para falantes de português/espanhol)
No círculo da direita (inicialmente para os falantes de port/esp), com a facilitação de Katitza Rodriguez, tivemos um bate papo sobre segurança digital...
Seguido de uma dinâmica bem interessante ligada ao tema...
Enquanto isto, no no círculo da esquerda (inicialmente para os falantes de ing), Anna Livia Arida conduzia um bate papo sobre boas formas de mobilização...
Seguido de uma dinâmica em que os participantes deveriam se dividir em grupos e, com base em notícias fictícias, organizar uma manifestação/ação em defesa de uma das causas apresentadas...
Isto ocorreu por cerca de 30 minutos, quando, então, os grupos trocaram de lado (e de facilitadora), ouvindo e vivenciando o que o grupo anterior já havia experimentado...
Mais trinta minutos (aproximadamente) e os dois círculos se tornaram um, quando, então os participantes e as facilitadoras, fizeram um balanço de toda a atividade...
13h10 passada, oficina finalizada, participantes (a maioria) saindo para almoçar e começam as arrumações para os eventos da tarde...
Desta vez, nesta pausa pro almoço, não teremos fotos de pastel ou qualquer outra comida pois, aproveitando a falta de fome e a presença de alguns participantes (que não saíram do salão), pude travar ótimas conversas, em especial sobre conflitos por terra e por moradia urbana... Foi muito batuta e serviu como um interessante aprendizado e quebra de alguns paradigmas...
14h30 passada e começamos os eventos da tarde...
Inicialmente tivemos a Mesa/Painel discutindo a Criminalização (das manifestações)
- Da esq para a dir:
Sebastián Pereyra, Universidade de San Martin
Maurício Albarracin (mediador)
Juan Gabriel Auz Vaca, Terra Mater
Ben Hayes, Transnational Institute
Seguindo (por volta das 17h00) para Mesa/Painel sobre Vigilância
- Da esq para a dir:
Melisandra Trentin, Justiça Global
Flávio Siqueira (mediador)
Joana Varón, Centro de Tecnologia e Sociedade, Fundação Getúlio Vargas
E encerrando (pelo menos esta parte fechada apenas para os participantes do Colóquio), por volta das 17h50, com uma emocionante homenagem aos 43 desaparecidos de AYOTZINAPA (lembrando que nesta data, 7 meses atrás, ocorria/iniciava este infeliz incidente...)
Homenagem prestada, tivemos uma pausa para organização do último e especial momento do dia de hoje, e para a recepção dos escolhidos, em uma seleção aberta ao público (não participante do Colóquio), para poder assistir este Mesa/Painel especial com o tema:
EUA e Tortura – de Guantánamo às prisões secretas da CIA
Jamil Dakwar, American Civil Liberties Union (ACLU)
Mesa/Painel especial finalizado e, com ele, (20h00 passada) se encerravam os eventos do dia de hoje!
- Como assim, "encerravam" Ribas, você não conseguiu nenhuma exclusiva, não vamos conhecer nenhum participante novo, e os tradicionais comentários a respeito dos painéis????O que está acontecendo aqui!!!!!?????
Calma, calma!!
Vamos por partes...
1º- Hoje pude ter a confirmação de que praticamente todos os vídeos (em breve), com o fim do Colóquio, estarão no site oficial do CONECTAS e, soube também que, muito provavelmente, eles estarão legendados, portanto como hoje acabou bem tarde, como amanhã CEDO o Colóquio continua e como eu ainda farei um relato especial dos 5 dias, optei por não esticar os comentários a respeito das Mesas/Painéis (que, em breve, vocês poderão assistir e ter seus próprios comentários...)
2º- Exclusiva? Eu não consegui? Bom... LÓGICO que vocês irão conhecer alguns novos participantes!!! Só guardei propositalmente para o final...
São eles (e ela):
Lucas Teixeira (Brasil / Oficina de Anti Vigilância)
Maurício Vázquez (Uruguai / Instituto de Estudios Legales y Sociales del Uruguay -IELSUR- e Comité de los Derechos del Niño/a)
Lucas Sada (Brasil / Instituto de Defensores de Direitos Humanos do RJ -DDH-)
Como imaginei ontem, aquela faixa contra a redução da maioridade penal, não fazia parte do cenário e, portanto, hoje já não estava mais pela galeria, eu, mesmo sem também fazer parte do Colóquio e prevendo um pouco mais do mesmo (que, por sua vez é bastante especial, então borandar!!), lá estava descendo a ladeira e me dirigindo para mais um dia com aquele pessoal batuta e especial...
Cheguei por volta das 9h15, atrasado portanto, mas a primeira Mesa/Painel só começou por volta das 09h30, então tudo bem (ainda bem).
Tal Mesa/Painel, tinha como tema "O uso da força e a prevenção da violência - O papel do Estado", e era composta por (seguindo a foto abaixo, da esquerda para a direita) Camilla Maia (CELS), Rafael Custódio (Advogado, coordenador do "Programa Justiça" da Conectas Direitos Humanos -foi o facilitador da Mesa/Painel-), Eddie Hendrickx (Belga, especialista em assuntos relacionados à polícia, internacionalmente reconhecido, e atuou no treinamento do corpo policial sul-africano após o fim do Apartheid)...
E (ao vivo, através do Skype) pelo Sociólogo Rodrigo Ghiringelli de Azevedo.
Todos os palestrantes demonstraram conhecimento do tema e bastante sensibilidade para com o mesmo, mas sou obrigado a confessar que senti falta de um "algo mais", seja pela falta de tempo para um grande aprofundamento dos vários sub temas citados, seja pelo fato de, por vezes (raras, mas existentes) ainda surgirem em suas falas resquícios da figura do "baderneiro que precisa ser controlado e afastado", "da maçã podre que se destaca no meio da manifestação e a estraga e (ou) acaba gerando uma reação -atabalhoada e criticada- da repressão" (não usaram essas colocações, é verdade, mas o "conjunto da obra" deixou EM MIM, esta impressão/incomodo).
Além disso, outro ponto que me incomodou (mas aí é culpa quase que exclusiva da minha própria expectativa), surgiu na última fala do Painel, qual seja a do especialista Eddie Hendrickx (que fechou a série iniciada pelo Rafael e seguida pelo Rodrigo e pela Camila), pois em sua palestra...
Repleta de informação, demonstração de domínio do tema e lâminas muito interessantes...
O palestrante seguiu uma linha (ou eu entendi -mal- que ele assim o fez) na qual ele (reitero que com muita qualidade) demonstrou e discutiu, usando de uma visão bem crítica da polícia (é verdade), formas de como ela (polícia) poderia/deveria melhorar, para prevenir a violência (sua e dos manifestantes), com isto, melhor controlando/gerenciando as manifestações.
Tá, ok! Mas, espera um pouco, nessa hora, enquanto ouvia a palestra uma musiquinha tradicional em manifestações, surgia na minha cabeça, qual seja, aquela que diz:
"que coincidência, NÃO tem polícia, NÃO tem violência!!!"
E, com isto eu ouvia e pensava, pensava e ouvia... Aí ficava me perguntando (por isto o incomodo), quando será que ele irá falar que a polícia MUITAS VEZES nem deveria "estar na manifestação"? Quando que ele irá falar (e pq os outros não trabalharam mais o assunto) sobre a relação "polícia = braço armado do Governante = cachorrinho treinado do engravatado da vez" que, simplesmente, cumpre ordens, sem pensar, e, portanto, por melhor preparo que tenha, se vier uma ordem para acabar (ou nem deixar começar) a manifestação, será isto que será feito e ponto final???
Quando, quando, quando????
Esta sensação de "falta", me frustrou um pouquinho, mas repito que foi um painel bem interessante e bem trabalhado (embora estragado pelo meu excesso de expectativa).
Ah! Lembram que eu comecei me referindo a "mais do mesmo", pois bem, nunca errei tanto (e amei isto!!), até a arrumação do salão estava diferente!!!
Painel/mesa finalizada, o evento teve uma pequena pausa, quando os participantes puderam conversar e interagir um pouco...
Até por volta das 11h51, quando, então, a segunda Mesa/Painel começou!
Desta vez o tema era: "As armas menos letais"
E a mesa foi composta por (da esquerda pra direita, temos)...
Mariam Al-Khawaja (Bahrein, integrante do Gulf Center for Human Rights do Bahrein -GCHR-). 1ª a se pronunciar;
Hanui Choi (Coreia do Sul, trabalha no movimento global, onde milita pela interrupção do fornecimento das denominadas armas menos letais da Coréia do Sul para a Turquia). 3ª a se pronunciar;
Jefferson Nascimento (CONECTAS, facilitador da Mesa/Painel)
Rohini Haar (EUA, médica que atua no Physicians for Human Rights, PHR, onde foca sua atenção nos efeitos físicos e psicológicos da tortura e da violência sexual, na documentação de ataques a civis, no abuso do uso da força policial, bem como na proteção de instituições médicas e profissionais da saúde enquanto atuam em crises humanitárias). 2ª a se pronunciar.
Tal painel, além de muita informação, fotos, vídeos, estatísticas...
Abriu, também, espaço para debate e perguntas...
E, até pelo tema, lógico que o Alexandre do GAPP, não deixou a oportunidade passar
No fim (do Painel) a sensação deixada (com a qual concordo!!) é a de que a conclusão final caminharia no sentido de um entendimento de que acabar com o uso de armas não letais, na repressão dos protestos/manifestações, atualmente, poderia ser contra producente e trazer um problema maior, pois com tal fim, os órgãos de repressão, na falta de outro mecanismo, voltariam a usar as chamadas armas letais, com isto uma solução interessante seria a busca por uma maior e mais real responsabilização/punição das forças policiais (pelo mau uso das ANLs) e uma melhor regularização (talvez até mais internacionalizada) do uso das ANLs.
Obs: Com relação à pergunta do Alexandre, a médica Rohini, respondeu, citando experiências na Irlanda do Norte e na Hungria, onde o uso de ANLs foi bastante reduzido e trocado por práticas mais físicas (como exemplo -não citado, diga-se- teríamos a técnica do "Caldeirão de Hamburgo" usada aqui em São Paulo, tragicamente, durante a repressão dos atos contra a Copa de Mundo de 2014)
13h40, painel finalizado e manifestantes liberados para ir almoçar até por volta das 15h00, quando, então, seria iniciada a "Feira de Ideias" (eu já disse que de "mais do mesmo", não tivemos foi nada, hoje, né? Ok!).
Embora liberados, nem todos os participantes foram embora, ao mesmo tempo, juntos, alguns ficaram mais um pouco e aproveitaram para tirar fotos com uma figura nova que acabará de chegar... Me refiro ao fotógrafo ativista e membro do GAPP, Eli Simioni que veio (junto com a Jova) para ajudar o Alexandre na Feira...
Fotos tiradas, participantes já (quase todos) fora do salão, relógio marcando por volta das 14h00, é iniciada a montagem da estrutura para Feira que iria começar em breve... (MAIS NOVIDADES)
Acompanhei um pouco, e como a fome não era tanta, resolvi sair atrás de "comida amarela"...
Achei, e comi uns pasteizinhos...
Voltei rápido para o Salão, onde faixas ainda eram esticadas e a cuidadosa arrumação continuava!
15h07 e a Feira de Ideias começa oficialmente!
- Tá, mas o que era a Feira de Ideia, Ribas?
Basica e resumidamente, a Feira de Ideias era/foi uma dinâmica onde todos os participantes, tiveram uma espaço, uma mesa, para montar um stand
E, nele, receber os demais participantes, jornalistas, organizadores do Colóquio, falando de se suas causas/pautas/lutas, distribuindo, panfletos, livros, materiais diversos e, PRINCIPALMENTE, interagindo e se (nos) conhecendo mais e melhor!!
Enquanto a feira acontecia (foi até por volta das 17h15), como tradicionalmente ocorre em feiras do tipo, em paralelo, ocorriam alguns eventos pontuais...
Como uma ato emocionante em respeito/lembrança às 43 vítimas de AYOTZINAPA (pois o trágico incidente, na virada de hoje para amanhã, completará 7 meses, sem solução)
E uma roda de "Diálogo aberto sobre questões institucionais" (das diversas entidades presentes) para quem quisesse participar (vide na foto abaixo, os participantes perto do palco...)
Tudo acontecendo, sem, contudo, parar a Feira...
E, até em função destas várias dinâmicas ocorrendo ao mesmo tempo e em completa sintonia, acabei conseguindo me amalgamar com a energia maravilhosa do momento e tive a oportunidade de interagir bastante, aprender bastante e, trazer, para vocês (10 ou 12 que nos visitam hehehe), algumas falas/mensagens exclusivas, como por exemplo, da...
Ana Paula Portella Ferreira Gomes, que é de Porto Alegre e fez seu doutorado em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente atuando como pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Violência, Criminalidade e Políticas Públicas de Segurança da UFPE e com grande atuação no movimento (no Recife) "Ocupe Estelita".
E da ativista chilena Daniela Paz Quintanilla Mateff, que faz parte da equipe jurídica da ONG "Corporación Humanas" (centro de estudos e ação política feminista para a defesa dos Direitos Humanos das mulheres na América Latina.), fazendo parte da equipe jurídica.
Por fim, 17h30 passada, nenhuma vontade de ir embora mas, fui...
Já desejando voltar logo amanhã e por falar nisto, vou fechando o post por aqui, pois preciso dormir um pouco... Até breve, até logo, até já!!
Borandar!!
Obs: Quem estiver sentindo falta de comentários mais aprofundados, saiba que quando o Colóquio acabar e todos os 5 dias forem devidamente relatados, após passar um "pente fino" em possíveis erros de digitação e de português que a pressa e o sono ajudam a acontecer, farei uma sexta publicação com o meu balanço de tudo. Evidentemente que irei, nesta publicação, reiterar os elogios muito merecidos à toda a organização, mas, também trarei observações e comentários extras, promessa!!
Obs2: Quem está sentindo falta dos vídeo que tradicionalmente faço (e subo) de/das palestras que vejo, onde vou, saiba que tal ausência se deve ao fato de que o CONECTAS tem o costume de subir e deixar este material nas respectivas páginas oficiais dos Colóquios. Quando isto ocorrer, irei linkar tal página, aqui...