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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

É...

Pois é...

Até por sermos um coletivo horizontal, composto de individualidades independentes, evitamos ao máximo externar posicionamentos fechados do GRUPO, mas, vez ou outra, surge alguma campanha ligada ao ser humano, como um todo, sem cor e sabor que o diferencie deste ou daquele outro e, nestes casos, entendemos que a omissão/silêncio acaba nos tornando parte do problema...

Por estas e outras, vimos por bem, aceitar o honroso convite de subscrever o texto abaixo que trazemos em sua integralidade, para conhecimentos de vocês que nos acompanham:


EXMO. SR. MINISTRO DA JUSTIÇA, DR. JOSÉ EDUARDO CARDOSO.

ILMO SR. PRESIDENTE DO CNPCP – CONSELHO NACIONAL DE POLITICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA, DR.LUIZ ANTÔNIO SILVA BRESSANE



INDULTO 2015 - MULHERES ENCARCERADAS

O Grupo de Estudos e Trabalho “Mulheres Encarceradas” e as entidades que esta subscrevem, tendo em vista que neste período dá-se início aos estudos e análises para a preparação do decreto natalino de 2015, para concessão de indulto e comutação de penas, vem pleitear que a concessão de indulto e de comutação tenha como parâmetro as especificidades da mulher.

O GET “Mulheres Encarceradas”, que atua desde 2001, é uma rede que tem como objetivo primordial discutir a realidade da mulher presa, suas condições de encarceramento, seu acentuado perfil de exclusão social, a emergência de atendimento a seus direitos, a violência de gênero sofrida e apresentar propostas para que esta situação seja alterada.

A exclusão e discriminação das mulheres encarceradas, iniciadas no seio da sociedade, nos dá a certeza que há um longo caminho a trilhar e, neste propósito, indicamos a urgência para que o indulto, instrumento histórico de política criminal, de previsão constitucional e ordinária, seja aplicado de modo eficaz, para que de fato atinja as mulheres encarceradas.

Diversos documentos internacionais e regionais recomendam que se preste maior atenção às questões das mulheres que se encontram na prisão, inclusive no tocante aos seus filhos.

Documentos nacionais indicam a necessidade que se estabeleça políticas públicas diferenciadas para as mulheres encarceradas, que constituem um percentual pequeno da população carcerária ( cerca de 8%); com alta porcentagem de mães presas ( cerca de 80%); que se encarregam de cuidar dos filhos.

Há um déficit de políticas públicas adequadas ao tratamento das presas, em todas as matizes.

Os dados disponíveis indicam um aumento do aprisionamento feminino, que não se circunscreve a delitos violentos. O aumento da taxa de encarceramento de mulheres presas se dá em razão de entorpecentes, sendo que a maioria por delito que envolve pouca quantidade de droga. O último relatório do Infopen, publicado pelo Ministério da Justiça, estima que 63% das mulheres encarceradas estão presas por delitos relativos às drogas, o que representa, proporcionalmente, um número três vezes maior que o de homens detidos pelo mesmo delito.

Ainda, importante registrar que o número de mulheres negras que estão presas é proporcionalmente maior do que a população de mulheres negras.

O aumento do encarceramento das mulheres produz consequências de diversas ordens, mas necessário destacar a perda ou fragilização das relações familiares, pois grande parte das mulheres são simplesmente abandonadas; facilmente constatável o esgarçamento no universo filhos e mãe presas, em que pese um expressivo percentual de filhos de presas estar sob a tutela de seus familiares.

É indispensável que o Estado Brasileiro passe a realizar efetivas ações de inclusão da mulher presa,com ações afirmativas que busquem o equilíbrio, sanando a desigualdade histórica, observada as especificidades do gênero, e levando em conta que, de regra, os filhos estão sob os cuidados da mãe, ainda que presa, e não com o pai, fato a ser utilizado como critério para também garantir os interesses das crianças e adolescentes.

Note-se que os dados disponibilizados pelo INFOPEN provam que a política criminal referente ao indulto, estabelecida até hoje, não contempla as mulheres presas. Em 2008 foram apenas 58 mulheres atendidas por indulto, em todo o Brasil; em 2009 foram 64 e em 2010 foram 109 .

A Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo informou os seguintes números de indultos concedidos:



São números pífios e, mesmo que se considere incompletos, retratam a ineficácia do indulto, já que os três estados da federação que prestaram a informação diretamente à Associação Juízes para a Democracia, são os que concentram significativamente a população encarcerada do Brasil, razão pela qual, formulamos dois pontos essenciais a serem considerados na elaboração do decreto para a extensão do benefício às mulheres encarceradas:

  1. que se contemple, dentre as hipóteses previstas para a concessão do indulto/comutação, as mulheres condenadas por tráfico de entorpecentes, que tenham pena, ao menos, de até cinco anos .
  2. que se contemple, dentre as hipóteses previstas para a concessão do indulto/comutação, as mulheres com filhos menores de dezoito anos e que, nestas situações, leve-se em conta um menor período de pena cumprida para sua concessão, priorizando-se assim a relação dos filhos com as mães, poupando-se as crianças e adolescentes o máximo possível das consequências da prisionalização da mãe, notadamente os danos emocionais decorrentes do afastamento.

Colocamo-nos à disposição de Vossa Excelência na esperança que o ano de 2015 seja um marco efetivo de politica criminal que atenda as especificidades da mulher presa.

Atenciosamente,

São Paulo, 21 de setembro de 2015.



1. Grupo de Estudos e Trabalho "Mulheres Encarceradas"

2. AJD - Associação Juízes para a Democracia

3. ASBRAD – Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude

4. Conectas Direitos Humanos

5. Conselho Regional de Psicologia SP

6. IBCCRIM Instituto Brasileiro de Ciências Criminais

7. IDDD – Instituto de Defesa do Direito de Defesa

8. ITTC – Instituto Terra Trabalho e Cidadania

9. Pastoral Carcerária Nacional – CNBB

10. Serviço Franciscano de Solidariedade - SEFRAS

11. Conselho Penitenciário do Estado de São Paulo

12. Pastoral da Criança da Arquidiocese de São Paulo

13. Instituto Patrícia Galvão - Mídia E Direitos

14. FASE- Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional

15. CLADEM - Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher

16. MMM - Marcha Mundial das Mulheres

17. SOF – Sempreviva Organização Feminista

18. União de Mulheres de São Paulo

19. Themis - Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero

20. IDDH - Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos

21. APROPUC-SP-  Associação dos Professores da PUCSP -

22. ARP - Associação pela Reforma Prisional – RJ

23. Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, Universidade Candido Mendes

24. Tecle Mulher – Assessoria e Pesquisa no Âmbito dos Direitos da Mulher

25. Conselho Regional de Serviço Social – CRESS 9ª Região/SP

26. FENAJ - Federação Nacional dos Jornalistas

27. Comissão de Assuntos Penitenciários da OAB/MG

28. Coletivo Peso-Periferia Soberana/MG

29. Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo

30. Uneafro Brasil - União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora

31. NECA - Associação de Pesquisadores e Núcleos de Pesquisa Sobre a Criança e o Adolescente

32. Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Estado de São Paulo

33. Núcleo Especializado de Situação Carcerária da Defensoria Pública do Estado de São Paulo

34. Associação dos Criminalistas do Estado do Rio Grande do Sul (ACRIERGS)

35. Ação Educativa

36. Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF

37. CEDCARJ – Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente

38. Coletivo Advogados Ativistas

39. Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – Programa Regional Bahia

40. Movimento Nacional de Direitos Humanos - Regional SP

41. Centro Dandara de Promotoras Legais Populares

42. SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia - Recife/PE

43. Fórum de Mulheres do Mercosul/ Brasil

44. Blogueiras Negras

45. Fórum Cearense de Mulheres

46. Pastoral da Mulher Marginalizada

47. Conselho Regional de Psicologia da 4ª Região – Minas Gerais/BH

48. Articulação Caminhada de Terreiro de Pernambuco

49. Fórum de Juventude Negra - PE

50. Central de Movimento Popular - PE

51. Sociedade das Jovens Negras Feministas - PE

52. NUDIVERSIS - Núcleo de Defesa da Diversidade Sexual e Direitos Homoafetivos - Rio de Janeiro

53. NUCORA - Núcleo Contra a Desigualdade Racial - da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro

54. MNDH - Movimento Nacional de Direitos Humanos - SC

55. Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo

56. Fórum Sergipano das Religiões de Matriz Africana

57. Instituto EcoVida

58. Comissão de Mulheres de Familiares de Mortos e Desaparecidos Politicos,

59. Observatório da Mulher

60. Centro de Direitos Humanos de Sapopemba (CDHS)

61. CEDECA Sapopemba

62. Coletivo de Mídia Livre: Mídia Legal Independente

63. Associação Palotina

64. Centro de Acolhida para Mulheres Estrangeiras

65. Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo

66. Instituto Socialismo e Democracia -Zequinha Barreto

67. CEDHRO - Centro de Defesa dos Direito Humanos da Região Oeste

68. ADDHC - Associação de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania - JF-MG-Brasil

69. Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos

70. Rede Jornalistas Livres

71. Associação dos Defensores Públicos do Estado do Maranhão (ADPEMA)

72. CDDH - Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Campinas - SP

73. Centro de Defesa dos Direitos Humanos Margarida Alves

74. Núcleo Especializado Da Infância e Juventude da Defensoria Pública de SP

75. DDH - Instituto de Defensores de Direitos Humanos

76. Centro Acadêmico XI de Agosto - Faculdade de Direito da USP

77. EGIDE - Estudos de Gênero, Igualdade e Desenvolvimento

78. ADUSP - Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo

79. Movimento de Luta por Moradia TERRA LIVRE - CAMPO E CIDADE

80. Sociedade dos Direitos Sexuais na Amazônia

81. Fórum Social de Manguinhos

82. Intersindical Central da Classe Trabalhadora

83. Associação de amigos e familiares de presos - Amparar

84. Coletivo de Feministas Lésbicas - CFL

85. Associação dos Servidores e das Servidoras da Defensoria Pública do Estado de São Paulo

86. Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz – Joinville-SC

87. Centro de Estudios en Seguridad Ciudadana, do Instituto de Asuntos Públicos, da Universidad de Chile

88. Pastoral da Moradia da Arquidiocese SP

89. Associação Fala Mulher

90. Instituto Aliança - Salvador/BA

91. Projeto de Pesquisa e Extensão "Do Cárcere à Universidade" da Faculdade de Educação da UERJ

92. Contee – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino

93. Casa de Isabel - Centro de apoio à mulher, a criança e o adolescente vítimas de violência e situação de risco.

94. Comitê Pró-Haiti

95. Tribunal Popular

96. Centro de Defesa e Convivência da Mulher Cidinha Kopcak

97. CULTHIS - Laboratório de Estudos sobre Trabalho, Encarceramento e Direitos Humanos 

98. Instituto DH: promoção, pesquisa e intervenção em direitos humanos e cidadania

99. Coletivo BIL -Coletivo de Mulheres Bissexuais e Lésbicas do Vale do Aço/MG.

100. Associação Missionários Leigos de Maryknoll

101. Coletiva Estamira de Mulheres Psicólogas

102. Intersindical - Central da Classe Trabalhadora

103. Associação Comunitária da Mulher do Movimento Sem Terra - Ermelino Matarazzo

104. Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania de Marilia

105. Movimento Negro Unificado

106. Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo

107. Departamento Jurídico XI de Agosto

108. Grupo de Trabalho Docência e Qualidade

109. Pastoral Operária Nacional

110. Organização Indígena Revolucionária

111. COMDIM - Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre

112. SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

113. Conselho da Comunidade de Foz do Iguaçu

114. Instituto SACI - Saberes, Culturas e Integração

115. Comissão de Estabelecimentos Prisionais da OAB/PR

116. Associação de Familiares de internos e internas do sistema penitenciári o do DF

117. Movimento do Graal no Brasil

118. Instituto Sou da Paz

119. Rede Justiça Criminal

120. Justiça Global

121. Frente Mineira Sobre Drogas e Direitos Humanos

122.CEPIA - Cidadania Estudo Pesquisa Informação Ação  

123. CAMI - Centro De Apoio e Pastoral do Migrante

124. Elas Por Elas Vozes E Ações Das Mulheres

125. MCTP - Movimento Contra o Tráfico de Pessoas

126. NEIM/UFBA - Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da Universidade Federal da Bahia

127. AMARC Brasil - Associação Mundial das Rádios

128. Fundação - Fundo Brasil de Direitos Humanos




Até a próxima!

Borandar atrás de um mundo melhor!






quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Texto e Imagens: Walmor Carvalho



 (Coleguinhas posicionados durante a concentração)


Se domingo foi dia de criticar, Hoje foi o dia de defender.

Hoje foi o dia de uma convocatória geral da Esquerda Brasileira para fazer frente aos protestos em defesa do Impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

A ordem era...



E, contra o clima (frio e chuvoso) e a ressaca de Domingo, lá fui eu com os coleguinhas para mais uma cobertura.

O ato foi convocado para as maiores capitais do país, e em São Paulo ele estava marcada para as 17:00 horas no Largo da Batata, um dos centros nervosos da capital paulista. O local em tese é perfeito: Bastante espaço livre, acesso fácil a transporte público...

Antes mesmo das 17, o local já começava a fervilhar de militantes de esquerda dos mais diversos alinhamentos. As bandeiras e balões eram das mais variadas representações, mas alguns grupos tinham destaque: Centrais sindicais com balões, movimentos estudantis com baterias e bandeiras, alguns poucos representantes de partidos com adesivos e, na ponta-de-lança, os movimentos de moradia com trio-elétrico, faixas, bonecos de malhar-judas e militantes que não paravam de chegar, pelo transporte público ou por ônibus fretados.

Quanto ao discurso, o tom era um tanto cacofônico. Bandeiras, faixas e o microfone oscilavam entre o apoio à presidenta e a crítica às suas políticas e aliados.

Provocações aos "coxinhas" dos atos de Domingo também foram feitas. E é aqui que faço uma pausa e coloco minha primeira de duas críticas ao ato: Esse posicionamento dúbio é, além de vergonhoso, extremamente perigoso para a esquerda brasileira.

Ao oscilar entre o apoio e a crítica, os movimentos demonstram pouca autonomia em relação ao PT e fraqueza de suas próprias plataformas. Com isso, a esquerda fora do PT mostra-se sem união para caminhar com as próprias pernas e sem poder de pressão junto ao Governo Federal.

A única coisa que unia as diversas facções presentes era a defesa do mandato da Presidenta, e isso faz com que o gabinete e a chefia do partido continuem isolados das bases na rua, perdidos numa nuvem de falsa aprovação.

O único grupo (e, por sinal, o maior em tamanho) que consegue fazer essa política dupla dar certo é o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), que mantém uma base de apoio ao Governo Federal mas não hesita em partir para o ataque em ações diretas de escala nacional. Enquanto isso, os outros grupos (como as Uniões Estudantis, as Centrais Sindicais e outros partidos) oscilam entre o apoio cego e as críticas vazias (que, por vezes, beiram a birra de uma criança mimadinha) que garantem a manutenção do estado de coisas atual. Esses movimentos precisam urgentemente sair de cima do muro em relação à postura da Presidenta, e transformar esse "tapa com luva de pelica" num tapa de verdade.

Mas, voltando ao ato.

Eram já 17:30, e o Largo da Batata já havia ficado pequeno para tanta gente. Militantes mais afoitos acendiam sinalizadores e pequenos fogos de artifício coloridos enquanto Guilherme Boulos, lider do MTST, bradava ao microfone a presença de pelo menos 40 mil pessoas.

Logo, a massa ganhou o asfalto e finalmente começou a se alinhar para a saída da marcha, sob um tempo cada vez mais frio e ameaçando chuva.

À frente, com as maiores faixas e o maior contingente humano, os militantes do MTST iam montando um cordão que não se decidia se ficava antes ou depois da faixa principal.

As informações entre os coordenadores das ocupações eram desencontradas, contingentes enormes de militantes cortavam caminho até a linha de frente pela contramão, e o ato caminhava - literalmente - aos trancos.O que me traz à segunda e derradeira crítica: Falta organização e diálogo.

Um dos principais elementos de sucesso das "micaretas anti-Dilma" é justamente o fato daqueles atos ficarem sempre pro Domingo. E a sacada é genial. Quem trabalha pode comparecer sem grilos, o trânsito não sofre tanto impacto, o clima é mais descontraído...

Enquanto isso, o pessoal pró-Dilma marca um ato proclamado como resposta direta a essas manifestações em plena quinta a tarde, no horário de pico. Toda a logística se complica. O transporte público simplesmente trava, os ônibus de militantes ficam presos e não chegam na hora necessária, o andamento da marcha se complica, milhares de pessoas ficam presas no trânsito estressadas...

O que tem a ver uma coisa com a outra? A manifestação joga a população contra si mesma, ao invés de agregá-la.

Essa escolha da organização, junto com a retórica virulenta do "Nós contra os coxinhas" antagoniza com a população que está fora do ato e só quer chegar em casa, ao invés de engajá-la na luta pelos próprios direitos. Essa política fechada ressoa com o pior do discurso petista desde 2010, que jogou a classe média que votou no lula em 2002 contra o partido e colocou os núcleos tradicionais de militância como blindagem.

Pior: Mostra que essa nova face da esquerda que tenta a todo custo seguir seu próprio rumo está repetindo os mesmos erros.

E o tiro no pé é maior do que uma questão retórica. O ato hoje andou a Faria Lima inteira aos murros, com os carros de som (forrados de lideranças e coleguinhas) presos no fundo e os manifestantes andando espremidos e sem direção tentando pegar o acesso para a Rebouças.



Não seria tudo mais fácil se o ato tivesse sido marcado para este domingo? Um bom domingo a tarde, com todos os trabalhadores e as suas famílias. Tenho certeza que as 40 mil pessoas do Boulos teriam se traduzido em 100 mil, e sua mensagem teria se espalhado além de sentimentos de vingança e fúria de milhares de zés presos no trânsito.

Mas divago.

Com o aperto da chuva e a ameaça iminente de meu equipamento ser arruinado pela chuva, encostei embaixo de uma marquise bem na esquina da Faria Lima com a Rebouças, onde aproveitei para guardar a câmera e chegar a estas conclusões finais durante uma breve conversa com um homem na casa de seus 40 e poucos anos e um colete da CUT por cima da roupa. Fim de expediente.

Abraços e até a próxima

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Texto: Ribas Machado


Olá!
Vocês leram nossa publicação de 24/07/2015, a respeito da prisão do Guerreiro e nosso "amiguinho"  Manuel Chivonde Baptista Nito Alves, né? Não!?! Então leiam clicando AQUI...

Leram? batuta...

Pois bem, ele e seus companheiros já estão presos há mais de 46 dias!!

Dentre várias ações, no dia 02/08/2015, a partir das 16h00,  no Centro Cultural Elinga Teatro, na cidade de Luanda, e em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois, a partir das 18h00, integrando a campanha "Liberdade Já" ...


Rolou um espetáculo com as presenças (dentre outros) do grupo Abada Capoeira (Parabéns ao mestre camisa por esta atitude), Zwela Hungu, Laurinda Manuel Gouveia, Manuel Victoria Pereira, MC K, Jack Nkanga, Mona Dya Kidi, Sábio Louko & Ngamba Spoken Word, Pretos Racionais, Sanguinário, Jang Nómada, Emmanuel Pittra, Globo 112, Fat Soldiers e Dinamene... Para mais detalhes sobre o evento e fotos como a de baixo, visitem a matéria da redeangola:


Outra ação de destaque está marcada para o dia 08/08/2015 quando, neste dia, as Mães dos "presos políticos" pretendem iniciar, por volta das 13h00, uma marcha que (com o objetivo de chegar ao Palácio da Justiça e entrega uma petição ao procurador-geral da República, general João Maria de Sousa, exigindo a libertação dos seus filhos) sairá do Largo da Independência,  passará pela Avenida Comandante Valódia, Rua da Missão, Largo da Mutamba, e Rua do Primeiro Congresso. (mais detalhes podem ser vistos no site "esquerda.net".
no Centro Cultural Elinga Teatro, na cidade de Luanda - See more at: http://www.rtp.pt/noticias/mundo/artistas-angolanos-sobem-ao-palco-em-luanda-para-pedir-libertacao-de-jovens_n848737#sthash.WftVccrT.dpuf
concerto de hoje está agendado para as 16:00 (mesma hora em Lisboa), no Centro Cultural Elinga Teatro, na cidade de Luanda. - See more at: http://www.rtp.pt/noticias/mundo/artistas-angolanos-sobem-ao-palco-em-luanda-para-pedir-libertacao-de-jovens_n848737#sthash.WftVccrT.dpuf
concerto de hoje está agendado para as 16:00 (mesma hora em Lisboa), no Centro Cultural Elinga Teatro, na cidade de Luanda. - See more at: http://www.rtp.pt/noticias/mundo/artistas-angolanos-sobem-ao-palco-em-luanda-para-pedir-libertacao-de-jovens_n848737#sthash.WftVccrT.dpuf
 
Nós estamos e estaremos acompanhando!!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Texto e Imagens: Ribas Machado



Se ontem foi um dia de emoção e alegria, com o carinho feito pela moçada do Coletivo "Molotov FOTO independente", hoje, ao passarmos pelo site do CONECTAS as sensações que surgiram, após a leitura da publicação: "Vozes de Angola"  (Aconselho também a leitura da carta enviada ao Governo Angolano, pelo CONECTAS) foram de apreensão, incomodo, medo, raiva até...

Pois através da matéria, soubemos que nosso amiguinho Manuel Chivonde Baptista Nito Alves e mais 13 outros ativistas angolanos pelos Direitos Humanos, que se opõem ao governo de José Eduardo dos Santos (no poder desde 1979), foram detidos no Sábado, dia 20/06/2015, levados pela polícia até as suas casas e obrigados a entregar computadores, máquinas fotográficas e documentos, sem, contudo, a apresentação de qualquer mandado de busca e apreensão... Até onde pudemos apurar, os ativistas ainda se encontram presos.

É verdade que não é a primeira vez que ele foi detido, mas...

O que mais nos chocou foi que a denúncia, prisão e posterior julgamento (ocorrido em novembro -estou atualizando o registro-) foi embasada (não só) em uma entrevista que ele nos deu, aqui no Brasil, onde falava sobre os riscos que corria ao criticar o presidente e aproveitava para denunciar a violação de liberdades e direitos em seu país, entrevista esta, MUITO PROVAVELMENTE, distorcida e descontextualizada, que inclusive foi apresentada no tribunal em que ele e outros ativistas eram julgados sob suspeitas de planejar um “golpe de estado”...

Muito triste descobrir que em pleno 2015, um país ainda pratica atitudes tão baixas e execradas pela comunidade mundial, tomando atitudes ditatoriais da pior espécie e abafando toda e qualquer crítica democrática...



Ficaremos aqui, preocupados, apurando e na torcida para tudo ACABE e acabe bem!!

Por fim, seguem os parabéns à atitude da moçada do CONECTAS e algumas imagens da passagem do Manuel (a quem chamo de "amiguinho", pq ele era -ele É- uma pessoa pequena, magra, doce, preocupada, atenciosa, que sempre que nos via, vinha conversar e pedir pra tirar fotos dele fazendo isto e aquilo... Dos estrangeiros presentes no XIV Colóquio de Direitos Humanos, posso dizer que foi o que mais se tornou nosso "amigo") pelo Congresso.






 



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Texto: Ribas Machado



Antes de mais nada...
É, vocês devem estar sentindo falta de novas publicações não é mesmo?

Mas também devem ter reparado nas mudanças visuais e estruturais do site, sempre buscando uma experiência mais agradável, completa e batuta da passagem de vocês por aqui...

Pois é, uma coisa tem a ver com a outra, pois neste fim de julho, quem esta em Sampa, sem gripe, está, de alguma forma atuando nas melhorias visuais do site e, como a "rua" também não está lá muito ativa, as publicações tem estado mais devagar...

Seja como for, estamos de olho em tudo, fiquem tranquilas/tranquilos...

E, por estar de olho em tudo, devo dizer que nos emocionamos, hoje, quando, ao abrir a net, veio um aviso de que havíamos sido marcados/citados pela moçada do "Molotov FOTO Independente" no post printado pela imagem acima (hospedado neste link)...

Fomos olhar correndo o que era, pois poderia ser alguma pauta super batuta e emergencial, e, quando lá chegamos repito, nos emocionamos! Nos emocionamos tanto com o texto quanto pelo carinho totalmente gratuito e inesperado de nos citar. Este tipo de reconhecimento da parte de quem esta conosco lado a lado, este tipo de reconhecimento da parte de quem nos acompanha (sim, sim, me refiro a você mesmo que está aí lendo)... Estes carinhos são o que nos fazem seguir adiante.

Em nome de todo o Coletivo, registro aqui nosso obrigado e nossa amizade!

Contem sempre conosco e...

Borandar!!!


sábado, 18 de julho de 2015

Texto: Ribas Machado



É, pois é...

Eu gosto de comemorações!!

Mas fiquem calmos, pois não iremos fazer posts comemorativos todo mês (embora internamente comemoremos cada novo dia com o Site no ar). Seja como for, resolvi comemorar este 19 de julho pois esta data além de registrar o 7º mês de vida oficial do MLI, ela também me é particularmente importante pois, hoje, o meu MTE (antigo MTB) completa o 1º semestre de vida

Então... PALMAS pro MLI e pro meu MTE hehehe


Mas não ficam só nas palmas e (permitam-me ser um pouco pedante e rei do lugar comum, mas...) aqui o aniversário é nosso, mas quem ganha o presente são vocês, portanto, embora para mim pareça QUE PASSOU TÃO RÁPIDO, ao mesmo tempo, sei que aconteceu tanta coisa, então optei por pinçar algumas (de muitas) coberturas especiais para vocês lembrarem (ou até conhecerem pela 1ª vez). 

Borandar?
E só pra concluir este rol meramente exemplificativo, nada fechado, não poderia deixar, de trazer pra festa, uma das coberturas que mais gosto de fazer, qual seja, as que buscam cobrir a nossa (tão machucada, omitida, esquecida, escondida)...
Espero que tenham curtido e espero vê-las/los por aqui por muitas outras comemorações e semestres!!

Até a próxima!!


Obs: NÃO! O "Proseando com o MLI", não acabou, quem era fã deve lembrar que eu avisei que em julho ele seria quinzenal, ocorre que no meio do mês teve esta comemoração especial e daqui 15 dias acaba o mês, então saibam que ele só volta em agosto mas, ELE VOLTA SIM!!

sábado, 6 de junho de 2015

Texto e imagens: Ribas Machado   
Imagens: Walmor Carvalho



É pois é...

Vamos relembrar um pouco:

  • Sexta feira, 13 de março de 2013 - 1ª Assembleia/Av. Paulista/MASP (que ocorreu no mesmo dia do ato da CUT que ocorreu no mesmo dia da Assembleia). NÓS COBRIMOS ;
Depois da visita e do banho de água fria, recebido durante a visita, optamos por ficar olhando de longe e vendo até onde iria aquela luta que seguia um estilo ultrapassado e mofado. Até que veio a...
  • Sexta feira 24 de abril de 2015 - E o que parecia estar ruim e estranho, se COMPROVOU péssimo e podre - Nós, ou melhor, eu me posicionei a respeito;
  • Quinta feira, 30 de abril - Enojado com o massacre ocorrido no Paraná, nosso Colunista (e também Professor) escreveu a respeito (Evidentemente, comentando também sobre o cenário de Sampa);
Aí veio a...
  • Sexta feira, 08 de maio de 2015 - E, com ela, surgiu o medo da greve ser abafada na assembleia da semana - FOMOS LÁ OBSERVAR;
Foi batutinha, os profs. autônomos conseguiram segurar a greve e souberam interagir com a moçada/estudantes que "colaram junto", mas, muita coisa ainda estava errada/estranha, como por exemplo (só pra citar um de vários) o fato de no ponto mais tenso da manifestação (Marginal) os carros de som e os VIPS em cima deles, sumirem...

Depois dessa nos afastamos de novo e voltamos à nossa torre de observação afastada...

Aí veio a Assembleia de quarta feira (03 de junho de 2015), no MASP/Av. Paulista, com briga entre os Profs Autônomos x Bate Paus do Sindicato, com barraca pegando fogo, no acampamento, e com o acampamento passando a ser administrado pelos Autônomos...

Observamos mais um pouco e...

Na noite de sexta feira (05 de junho de 2015) visitamos o acampamento (que já estava  se arrumando para o arraial do dia seguinte)...


Acompanhamos uma assembleia, e conversamos com alguns dos novos administradores (dentre eles, uma moçada ativista clássica das ruas -interação esta, que deu novo fôlego pra luta DELES e novo ânimo para nós e nossa cobertura-) mas em função do velho problema da iluminação, somado ao respeito tradicional de uma primeira visita, não fizemos vídeos, mas voltamos pra base animados...



Então, finalmente, chegou hoje, Sábado, 06 de junho de 2015 e ocorreu o...


Até pelos bons papos e bons ares da noite/madrugada de ontem/hoje, me animei e fui pular fogueira...

Já de cara, ver as faixas ainda estendidas, era um sinal animador...


E, pois bem, até teria material para um "relato", mas segue o registro de que o ambiente estava bem batuta e eclético, várias tribos, muitos ativistas clássicos, profs autônomos, profs independentes, até uma profa que me recebeu no dia 28 de março estava pra lá e pra cá (fora do acampamento em si) com uma camiseta da APEOESP (talvez saudosa, talvez enraivecida).

Tudo corria muito bem...

A moçada da Casa Amarela também compareceu para somar/alegrar e tornar o arraial mais lúdico e plural...



De mais a mais, teve muita música, roda de capoeira, pronunciamentos (na medida certa), muita interação e muita horizontalidade!

Tive a oportunidade de conversar/ouvir uma das atuais individualidades que desde quarta, formam o coletivo administrador do acampa...


E, devo registrar também, que fui muito bem recebido/acolhido por praticamente todos...

Enfim, o evento/acampa mereceria nota 10 e eu até teria dado esta nota se tivesse saído na hora que tinha me programado a sair (até pq hoje rolou o aniversário de 03 anos da Fanfarra do M.A.L e eu pretendia visitá-los), mas... 

Por esperar pra ouvir o Professor (do vídeo) acima, que demorou a chegar, por amarrar um papo muito batuta com uma coleguinha que também estava por lá observando, e por reencontrar muita gente que "somou/colou" no evento, acabei estourando o horário e, como tudo que perde o prazo de validade, PARTE do acampa estragou/virou abóbora...

Explico...

Relógio marcava por volta das 20h18, quando alguns GCMs surgem quase marchando no arraial e enquadram um dos que lá estavam, com a acusação de que esta pessoa teria pichado alguma parede/escultura/estátua (não entendi), tumulto armado, todos os profs intercedendo, todos os demais idem até que os GCM, após muita conversa, desistem de levar a pessoa, se contentando em levar a lata de spray...
- Mas RIBAS, eu não entendi, se todos os profs e todo mundo intercedeu, (vc até grifou) pq você não deu 10 pro acampa?????
Explico (mais um pouco), eu reduzi a nota, pq após o momento acima, que foi ocorrendo em movimento (os GCM debatiam, andavam um pouco, paravam, debatiam mais, andavam mais e o grupo ia diminuindo), quando a GCM foi embora, restaram uns 5 ou 6 profs (mais velhos que eu, portanto...) e eu que estava acompanhando e caminhando junto...
Nisso, UM deles (falando com os outros) soltou: "não podemos nos misturar com eles", "essa moçada precisa ficar pelo menos uns 100 mts do acampamento", "eles não podem entrar", "precisamos levar isso pra assembleia"... Os demais não concordaram (nem retrucaram)...
Eu continuei ouvindo até que eles andaram e eu fui cuidar da vida também, agora pensando em não mais dar um 10 com louvor seguido de estrelinhas douradas no boletim, pois, por mais que eu entenda a cabeça desses mais velhos, viciados com um "fazer política", com um "fazer protesto/manifestação" antiguinho/mofadinho, viciados nesta postura "Animal Farm" do "todos são iguais, embora uns são mais iguais que os demais" por mais que eu conheça a raíz disto e aceite a ideia de que "macaco velho demora a aprender truque novo", me vejo forçado a reduzir a nota da classe, pois na atualidade, nos dias de hoje, por mais que grupos ainda discutam a questão "protagonismo", estas divisões estas verticalidades só destroem A LUTA (qualquer luta) e, se mais não fosse, muito cá entre nós, fica muito feinho ver um PROFESSOR optando por punir, banir, higienizar ao invés de educar... tsc tsc

Seja como for, o arraial e a proposta nova está infinitamente melhor e mais moderna do que a inicialmente construída!!!

Tomara que sexta feira (12 de junho de 2015) não ocorra um fim, justamente quando tudo parecia que finalmente (após mais de 80 dias) iria começar...

Estaremos de olho...

Até breve!

Borandar!!



F.A.Q.

FAQ (tchau O.I. oi Nerd na Trip)

Agora que consegui sentar e sossegar bora tirar dúvidas da patota...

Quer saber as novidades em 1ª mão???

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