domingo, 13 de dezembro de 2015

Texto e Imagens: Ribas Machado




É...
Pois é...
To sumido eu sei, mas tem algumas razões que explicam isto e, dentre elas, eu citaria o fato de que acabei entrando em dois projetos teatrais (um musical e um auto de natal) que consumiram muito do meu tempo, projetos estes que tiveram a última apresentação, do último projeto, hoje cedo, e citaria também uma situação PODRE ocorrida em Sampa e refletida em Angola (sim, vocês leram certo) que, qualquer dia, escreverei a respeito (prometo!!).

- MAS POXA VIDA RIBAS!!! TINHA QUE VOLTAR PRA RUA JUSTO NAS MANIFESTAÇÕES DA DIREITA!!???

Calma amiguinhos e amiguinhas!!! Primeiro, eu não voltei só hoje, quarta feira, dia 09, eu estava respirando gás com os estudantes naquela manifestação batuta que foi monstruosa e gratuitamente reprimida por despreparados fardados, só não falei nada a respeito por aqui, pq o MLI oficial naquele ato era o Walmor (to aguardando seu relato viu!!! hehehe);

Segundo que eu não acredito em esquerda e direita e, cá entre nós, minhas crenças não interessam, o que interessa são os fatos que ocorrem na RUA!

Terceiro que EM TESE eu não voltei hoje, o que aconteceu é que a manifestação estava no  caminho que eu precisava pegar para chegar na casa do Diretor, onde estava acontecendo uma festa de encerramento dos projetos citados acima, aí, como eu tinha que passar pelo ato, pq não aproveitar não é mesmo? Afinal de contas o MLI tem estado presente desde o primeiro ato desse povo que acabou no Ibirapuera com parlamentar levantando o braço e deixando aparecer a arminha na cintura... (lembram??)

Explicado? Ok!

Bom, vamos ao ato...

Me sinto obrigado (como sempre) a ser sincero e dizer que cheguei na Paulista por volta das 17h00 e (ouvi várias relatos que o horário de pico foi por volta das 15h00, logo eu não vi este "pico") o que vi foi...










É...
Pois é...
Já estava BEM VAZIO!!



E, tudo bem, cheguei as 17h00!

Mas em outros atos, do mesmo estilo "feira de ciências", alguns até com chuva e tempo fechado, eu vi (e vocês por tabela) muito mais gente e até muito mais tarde, então...


O jeito era sentar  com sua fantasia e pensar na vida da caserna...


Ou então ficar indo de um lado pro outro...


 Sendo, vez ou outra, entrevistado por, ou entrevistar, alguem...



Pelo caminho Faixas largadas...


Caminhões/grupos/"líderes" ídem...




Enquanto "mega estruturas"


Com pelotões de "ativistas"


Ficavam por lá sem ter o que "ativar"


E assim eu avançava passando por mais caminhões que apareciam pelo caminho


Dando a impressão de estar em uma exposição ou até num "cemitério de trios elétricos"...


Tava realmente tétrico...


Até que fui chegando perto do MASP

E, salvando mais uma vez o dia, lá estava o caminhão do MBL.


Que, embora (como sempre) fosse o único com plateia cativa (contando o horário e a claridade), devo confessar (que, naquele momento) não dava pra comparar com outros atos...


Até subi no caminhão para ter uma visão melhor da Paulista


E da plateia fiel...


Quando então também encontrei (no alto) com um dos organizadores do movimento que gentilmente nos cedeu algumas palavras...


Quando então, após mais um pouco de observação...


Desci do caminhão, observei mais...


E ouvi um pouco do que a plateia ainda estava escutando...


Aí conversei com outro organizador do MBL que, sempre, sem restrições, arruma um tempo pra, gentilmente, falar conosco...


E, como tinha uma festa me esperando, continuei meu caminho...

Trombando com o tal encontro de marombeiros que o Kim/Folha citou:





Trombando com vendedores desolados


Com a Tropa do braço entediada e com calor... (oh dó)


Com mais carros de som (sem som nem nada)





Com estátuas (mais vivas que muitos manifestantes ainda caminhando de um lado pro outro, perdidos como zumbis amarelados)


Aí fui registrando locais que gosto...


Shows batutas...


Bobagens medíocres (e sim, sou corinthiano, mas...)


E, então...

Eis que acho um "amiguinho" que vira e mexe aparece/fala aqui no MLI sempre com comentários lúcidos e sempre lembrando que o rei/rainha está nu (blargh!!!)

Me refiro ao Piauí Ecologia que, falou conosco:


E após o choque de realidade (e energizado por ele), continuei minha caminhada (me sentindo como um certo ex governador vampírico que queria ver gente numa Paulista em dia de chuva)...


E enquanto caminhava...


Fotografava...





Até que saí da Paulista e continuei meu caminho pra FESTA!!!!!


Até a próxima!!!!

Obs: Eu sei que foi um relato bem fraquinho, mas isto se deve ao fato de eu SEMPRE procurar relatar a realidade dos fatos que, HOJE, estava bem fraquinha!!!!



sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Texto e Imagens: Walmor Carvalho




De antemão, desculpo-me se o texto soa um tanto incongruente. A experiência é algo difícil de recuperar.

Definitivamente, com o anuncio de fechamento da tenda Alcântara Machado, a rotina mudou. E hoje finalmente pude sentir um gostinho do que foi essa mudança. Com o fim do respaldo dado pela prefeitura, Os trabalhadores (ligados ao Coletivo Autônomo dos Trabalhadores Sociais) simplesmente deram uma banana ao Poder Público e, unidos aos moradores da rua, ocuparam o espaço de convivência para mantê-lo aberto à população. Semelhante foi tentado pela comunidade do Cimento, na Bresser, que foi afetada pelo fechamento do centro de convivência lá. Infelizmente, a GCM foi mais rápida e evitou a ocupação.

Na manhã de hoje estava marcada de ocorrer a desocupação da Comunidade do Cimento, da mesma forma que ocorreu na Mooca mês passado - Moradores que se cadastraram nos programas mal-estruturados da Prefeitura teriam seus barracos derrubados e seriam encaminhados para o novíssimo espaço da Rua Cajuru.

Mas não foi bem o que aconteceu: com a comunidade bem organizada, GCM e Prefeitura não conseguiram proceder com a derrubada dos barracos. Com a intervenção do padre Julio Lancellotti (da Pastoral de Rua), de membros do Coletivo e ameaças de conflito, tudo o que conseguiram fazer foi derrubar uma das barracas - e por desejo do próprio morador. A coisa toda ganhou contornos de espetáculo, com motolink e helicóptero da Record ao vivo e frases escritas a tijolo no asfalto xingando o Prefeito. A operação toda foi considerada uma vitória pelo pessoal da Alcântara - a próxima na lista - mas mesmo assim o clima segue apreensivo.

O que nos traz de volta à Tenda Alcântara Machado. As atividades culturais seguem a todo vapor, e agora amparadas por uma disciplina firme e - à moda do Coletivo - decidida em assembleia. Hoje foi dia de Sarau punk, mas outras ainda virão.





A rotina é regrada, com horários fixos para abertura e fechamento dos portões, limpeza dos banheiros e das áreas comuns e turnos de sentinela durante à noite. A ultima limpeza dos banheiros e do pátio foi feita logo após o Sarau, o portão principal se fechou às 22 em ponto e as luzes foram desligadas meia hora depois. E é nessa hora que começa o turno da noite, afim de evitar qualquer abordagem surpresa da polícia - o que, de acordo com os moradores da maloca ao lado da Tenda, não é de todo incomum. O turno não é de todo solitário: Alguns moradores da maloca ao lado da tenda ficam acordados ás vezes até as 5 da manhã, fazendo companhia num sofá logo em frente ao portão.





Lá pelas 23, chega a janta na forma de duas caminhonetes de uma ONG que passam para distribuir marmitas. Do lado de dentro, alguns terminavam de assistir a um filme na TV antes de dormir.





Fui escalado juntamente de Alexandre - médico anarquista que prestava serviços na Bresser, para o segundo horário - das 4 ás 8 da manhã. Tentamos dormir numa barraca emprestada, mas desistimos devido ao barulho da TV e da bendita Radial Leste que passa, literalmente, sobre nossas cabeças. Após reacertarmos os turnos, fomos para o sofá na frente da maloca onde a conversa seguia animada, abastecida por musica e considerável quantidade de bebida. Uma garrafa de uisque que Alexandre trouxe para o pessoal jazia vazia, acompanhada de pequenas barrigudinhas de Corote. É como se as horas da madrugada saíssem de compasso.




Em determinada hora, a conversa gravita para o que aconteceu na Bresser, mas em tom de comédia: Alexandre recorda da confusão que o apresentador de TV da Record, que cobriu a confusão, se descabelava para entender o que raios um médico fazia entre policiais e moradores de rua revoltados. Todos dão risada quando um dos moradores lembra de quando um funcionário da Prefeitura levou uma "pedrada" - de acordo com o apresentador de TV - bem na cara: O tal funcionário se chama Neto, e goza de pouquíssima popularidade entre as comunidades da Zona Leste por frequentemente distorcer acontecimentos em seus relatórios à Secretaria de Direitos Humanos. Na operação, Neto tentava intermediar as negociações entre a GCM e a comunidade quando, de repente, levou um ovo bem no rosto. Mas, por causa do ângulo da pancada, o ovo não se espatifou e deixou-lhe um belo vergão no rosto. Risadas e risadas.

As risadas mudam de tom quando Jade, uma vira-lata com ares de pitbull cuidada por todos, consegue encurralar e matar uma ratazana que tentava entrar na maloca logo atrás. Todos vibram, enquanto Jade deixava a carcaça do animal no asfalto.

Jade, a caçadora

De volta ao assunto. Alexandre pergunta a todos se estão informados sobre como vão proceder os cadastros e retiradas do Auxílio-Aluguel. Não há consenso: uns dizem que o dinheiro começa a cair agora dia 15, outros dia 20... O mesmo se dá sobre as condições para recebimento do benefício: alguns dizem que dura um ano, outros dizem que dá pra receber por até cinco anos. Um morador, que depois se identificou como Tiago Burlan, disse que só está esperando o dinheiro cair para ele se mudar de vez para Cuiabá. Depois, em conversa, ele disse ser irmão do cineasta Cristiano Burlan - diretor do documentário "Mataram meu irmão", de 2013.



O papo segue sério: E agora, o que pode acontecer na Alcântara? O médico explica que a Bresser pode ter sido usada como um ensaio-geral para uma eventual remoção na Alcântara, e agora serão obrigados a repensar as estratégias. Fernando, um dos locais, é mais enfático: "Acharam que ia ser fácil que nem na Mooca e se ferraram, e se tentarem na Alcântara vai ser pior". Já uma moradora, com quatro filhos e pouco mais de um mês na Maloca, tem outro tom: "Eu já me cadastrei com a prefeitura e vou me mandar daqui assim que o bolsa-aluguel cair, não sou louca de sair na mão com a Polícia, não".

Tomo nota que já são por volta de 3 da manhã. Alguns deixam o sofá e vão dormir, e Alexandre a essa altura já apagou no sofá. Lá pelas tantas Fernando reaparece com um cobertor e cobre o médico. "Direto lá da minha suíte presidencial", ele diz. Alexandre acorda brevemente, agradece e volta a dormir. Levanto para esticar as pernas e fazer mais algumas fotos.



Lá pelas tantas me recordo de conversar com outro local, acho que se chamava Marcelo. Ele conta que saiu de casa com 9 ou 10 anos, cansado de apanhar dos padrastos. Disse também ter pego cadeia entre os 18 e os 27 anos, mas não disse o porquê. Mas elogiou a organização e o suporte mutuo do pessoal da Bresser. Nisso Fernando entra de novo na conversa e fala sobre o que pensa da luta dali em diante: "A policia não vai conseguir tirar a gente daqui. A gente é organizado demais pra sair. Podemos até perder, mas eu to aqui pra guerrear junto".

Mais algumas caminhadas e esticadas depois, chega a dupla do segundo horário com uma garrafa de água ainda semi-congelada. Alexandre acorda, agradece o cobertor e vai para a barraca dormir mais um pouco. E eu? Me despeço dos ainda acordados e sigo para o metrô, que acaba de abrir.

Fim de noite

Mas eu prometo que ainda volto.

Até a próxima!

F.A.Q.

FAQ (tchau O.I. oi Nerd na Trip)

Agora que consegui sentar e sossegar bora tirar dúvidas da patota...

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